quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Sons e conversas - é no dia 19 de abril, sábado, que vai ter lugar mais uma sessão a cargo do nosso colega José António Santos, no café "Chá de histórias" em Cacilhas

David Bowie e Robert Wyatt Prestaremos, desta vez, homenagem a dois singularíssimos singersongwriters britânicos, que aparentemente estão nos antípodas um do outro: David Bowie, um caso de imensa popularidade, e Robert Wyatt, uma figura de culto mas, de todo, não popular. É curioso juntarmos estas duas figuras que têm muito mais em comum do que pode à primeira vista parecer. David Bowie começou em meados de sessenta mas só em princípios de setenta se tornou um caso sério de popularidade. As primeiras canções são bastante híbridas. Demorou a encontrar o seu estilo e a expressar a sua inspiração. Em 1969 editou o single "Space Oddity" que o levou ao top britânico, seguido por "The Man Who Sold The World" e os álbuns "Hunky Dory" e "The Rise And Fall of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars" que o catapultaram para a fama e as vendas massivas de álbuns e singles.. Bowie é seguramente um dos artistas mais bem sucedidos durante os anos 70. Começou então a mudar a sua imagem muito ligada ao então denominado "glam rock". Com a ajuda e produção do amigo Brian Eno, encetou uma nova fase muito experimental (chamada fase berlinense), onde se aproxima da música ambiental e electrónica, sendo esta uma das melhores fases da sua carreira. Até ao finais de 70 e princípios de 80, a sua carreira é meteórica e recheada de excelentes álbuns - uma boa mão cheia -, o que faz dele um dos vinte e cinco melhores autores dos últimos cinquenta anos. Robert Wyatt é uma personalidade muito peculiar, com um gosto muito especial pela experimentação e a busca por uma música fora dos cânones do chamado comercialismo. Senhor de uma voz belíssima e de uma amplitude vocal assinalável, Wyatt começou nos Soft Machine mas, logo que a banda se deixou seduzir pelo "jazz rock", Wyatt afastou-se e começou então a sua lenta carreira a solo. Depois de um álbum experimental e dois em colaboração com outros músicos, editou em 74 "Rock Bottom", um álbum diferente de tudo para a época e que é provavelmente o melhor álbum dos anos 70. Lentamente, e às vezes sem grande assiduidade, Wyatt foi editando álbuns sempre de uma qualidade incomparável. É hoje uma das figuras de maior culto na música popular mas ignorado pelo grande público.